Quando eu era adolescente, costumava pensar que o contrário de amor era ódio.
Nunca foi.
O oposto de amor é indiferença. Sentimento crudelíssimo.
O amor, por sua vez, é um sentimento muito forte. O amor não míngua. Não acaba.
A paixão, sim. Esta é volátil. Esta acaba, converte-se em qualquer outro sentimento de valor semelhante a qualquer momento. E, frequentemente, torna-se paixão outra vez, sem maiores razões para sê-lo.
É correto dizer que quem sustenta uma relação de longa duração é o amor. Pois as virtudes que tantos anciãos apontam como segredo do sucesso de casamentos tão longos, invariavelmente, nascem do amor, e só dele. O respeito, a compreensão, a sabedoria, a cumplicidade, a amizade, o companheirismo, a tolerância, a admiração, o aprendizado.
A paixão torna-se ódio, devoção, luxúria, desespero, insanidade, perversão, amargura, ressentimento, medo, injúria, mentira e, não raro, paixão novamente. É uma manifestação esquizofrenica.
A paixão e o amor têm pouco a ver. Paixão é pólvora, dali nasce o estímulo para a conquista e o aproximar-se. Mais que isso é desperdício. Imagino que esta paixão inicial se mascare e transforme no decorrer do tempo e destrua os relacionamentos que não aprenderam a sobrepujá-la.
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